Author: Jutta Schmidt Machado

Novo relatório do Banco Mundial avalia os benefícios do desenvolvimento digital

Hoje o Banco Mundial publicou o “Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2016. Dividendos digitais”. Ele analisa os impactos esperados da revolução digital, constatando que o acesso ao mundo digital e os supostos benefícios são ainda desiguais na população, especialmente nos países economicamente frágeis.

Communication

Communication

O estudo aponta que 60% da população mundial ainda não possui acesso à Internet. Entre os que possui acesso, apenas 15 % têm banda larga. Em alguns países chama a atenção a desigualdade de gênero em relação ao acesso ao mundo digital. Um exemplo disso, são os países onde mulheres são impedidas de acessar à Internet ou mesmo fundar empresas ligadas a TI.

Porém, o relatório conclui que a Internet tem promovido o desenvolvimento ao abaixar os custos à informação, possibilitando ainda colaboração, geração de produtos, desempenando de modo geral um papel inclusivo, inovador e eficiente.

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, muitas potenciais ainda não chegaram a beneficiar a população mundial. Especialmente em relação à criação de empregos, serviços e crescimento econômico. A Internet também gera expectativas para melhoria na capacidade de atendimento do serviço público, da comunicação e do atendimento aos cidadãos.

O relatório aponta também que a educação nas escolas deve mudar, pois muitas profissões vão parar de existir e novas irão surgir no futuro. Por isso, faz-se necessário aumentar as capacidades sócio-emocionais, cognitivas e a flexibilidade dos indivíduos. Nesse sentido, o relatório destaca que as gerações futuras serão obrigadas a se capacitar permanentemente ao longo da vida.

Leia mais: World Development Report 2016: Digital Dividends. http://www-wds.worldbank.org/external/default/WDSContentServer/WDSP/IB/2016/01/13/090224b08405ea05/2_0/Rendered/PDF/World0developm0000digital0dividends.pdf

A revolução dos dados está chegando! A III Conferência Internacional de Dados Abertos publica o relatório final, traçando um roteiro guia para Dados Abertos

Em maio esse ano aconteceu a Terceira Conferência Internacional de Dados Abertos em Ottawa Canada. Participaram mais que 1.000 pessoas de 56 países do setor público, acadêmico, privado, organizações civis, organizações multilaterais, estudantes e outros setores. Aconteceram também 29 eventos paralelos. Num deles, o Open Data Research Symposium, a profa. Gisele Craveiro apresentou as pesquisas do COLAB com dois papers: “Challenges of implementing a local open data initiative – the case of the Official Gazette of São Paulo, Brazil” e “Open Government Data Initiatives and its Impacts on Citizen Empowerment: the case of “Caring For My Neighborhood”.

Esse evento enriquecedor e inovador coletou muitas experiências das comunidades de dados abertos ao redor do mundo. O resultado disso é um relatório final que acaba de ser publicado:

Enabling the Data Revolution: An International Open Data Roadmap”.

A imagem mostra o IODC Report Cover

IODC Report Cover

Com base nas atividades e nos debates sobre dados abertos, o relatório pretende resumir o “estado da arte” do movimento, traçando um roteiro e visões sobre o futuro de dados abertos, além de propor o desenvolvimento de um plano de ação.

O plano de ação se divide em cinco áreas:

  • Construir princípios comuns para os dados abertos;

  • Desenvolver e adoptar boas práticas e padrões abertos para a publicação de dados;

  • Desenvolver a capacidade de produzir e utilizar dados abertos eficazmente;

  • Fortalecer as redes de inovação de dados abertos;

  • Adoptar medidas e ferramentas comuns de avaliação.

A conferência também incluiu 14 sessões onde se discutiu o impacto de dados abertos nas áreas de agricultura, educação, democracia, meio ambiente, extração de dados, transparência fiscal, saúde, cidades inteligentes, mídias e cultura, povos indígenas, dinheiro público, accountability no setor público e parlamentos abertos.

As discussões receberam contribuições de outras áreas como inovação digital, acesso à informação, desenvolvimento de códigos abertos e tecnologias cívicas.

Outros pontos discutidos foram a infraestrutura de dados abertos, a aplicação de padrões, visão dos usuários, política de dados, potenciais de dados abertos e monitoramento.

Um aspecto importante da Conferência era a discussão do rascunho da Carta Internacional de Dados Abertos, International Open Data Charter. Essa carta que deve ser lançada ainda esse ano, contendo 5 princípios:

  • Dados Abertos por Padrão;

  • Qualidade e Quantidade;

  • Acessíveis e utilizáveis por todos;

  • Engajamento e capacitação dos cidadãos;

  • Colaboração para Desenvolvimento e Inovação.

Os debates focaram também em pontos críticos como privacidade e direitos indígenas, além de propor a integração dos princípios de dados abertos entre os objetivos globais de desenvolvimento. O rascunho da carta está em discussão pública aqui: http://opendatacharter.net/charter/

Tendo em vista os resultados alcançados da conferência, o COLAB fica contente de ter contribuído também um pouco de sua experiência.

A 4th International Open Data Conference, será realizada no próximo ano em Madrid, Espanha, nos dias 6 a 7 de Outubro.

Hackathon de Gênero e Cidadania da Câmara dos Deputados

Entre os dias 24 e 28 de novembro o LabHacker organizou, em Brasília, o Hackathon de Gênero e Cidadania da Câmara dos Deputados. Seu objetivo foi o de desenvolver soluções para o combate à violência contra a mulher e as políticas de gênero e cidadania. 

 

Dos 165 inscrit@s e 75 projetos, foram selecionados 47 participantes, a metade delas mulheres. 
O programa do LabHacker incluiu várias discussões e palestras instrutivas. Houve um encontro como com a bancada feminina, uma palestra da professora Jaqueline de Jesus sobre gênero, e a apresentação sobre accessibilidade por Leondeniz Candido de Freitas.

 

No final do Hackathon foram elaborados 19 projetos focando diversos temas, como o “Parto humanizado, violência contra mulher – “PróMulher“, a concientização sobre o aborto inseguro chamado de “Eu tirei” e o mapeamento de mulheres na técnologia, Grrlhacks.
Dois projetos foram selecionados para participar num evento sobre e-democracia em Washington, financiado pelo Banco Mundial: “Minha Voz que é uma plataforma para acolher vitimas de violência, e “Dona Maria”  que pretende conscientizar sobre as desigualdades de genero existentes no processo eleitoral.

 

A Hackathon de Gênero foi com certeza diferente de outros hackathons, pois a presença de mulheres, especialistas e ativistas no tema de gênero influenciaram o clima do evento. Predominou o espirito colaborativo entre @s hackers que se ajudaram uns aos outros, com o objetivo de promover uma maior igualdade de gênero.

 

Foto: Zeca Ribeiro – Câmara dos Deputados
 Myrthes
Legenda: hackers do projeto Myrthes desenvolvendo um app que conecta vítimas de violência com advogados e psicólogos voluntári@s.

 

Pelo COLAB participaram Jutta Schmidt Machado e Caio Cardoso Lucena, junto com o desenvolvedor Miguel Peixe.